"No fundo do peito, esse fruto apodrecendo a cada dentada"
A Companhia Todos Comemoram formada pelos atores Rafael Lucas Bacelar, Felipe Marcondes, Janaína Tábula, Cíntia Badaró e Natália Moreira farão a leitura de Harriet de Caio Fernando Abreu.
A Companhia do Chá, formada pelos atores Marcus Vinícius, Sarah Pinheiro, Jésus Lataliza, Francis Severino e Cris, farão a leitura de Para uma avenca partindo.
O espetáculo “Sobre Viventes” flerta com o melhor da linguagem contemporânea sem perder o vigor poético e ético de bom teatro. Posiciona em cena dois excelentes atores (Rafael Lucas Bacelar e Dayane Lacerda) da nova geração de BH. Ambos pulsantes, apaixonados, técnicos e ao mesmo tempo passionais. Com a sensibilidade aberta para explorar, no placo, os caminhos labirínticos da arte de ator.
O esquete abordou de tudo. Além de boa literatura - pois o texto foi recriado a partir de obras de Ana Cristina César e Caio Fernando Abreu – as composições cênicas levaram ao palco um rico universo de signos para falar de dois poetas emblemáticos redescobertos por uma nova geração de diretores, cineastas, dramaturgos e por aí vai.
Na linguagem cenográfica, a disposição de objetos caoticamente organizados mostrou um ambiente de entrega absoluta e completamente mergulhado em metáfora. A fala das personagens atingiu nuances reais/poéticas presenteando o público com sentimentos de amor, compaixão e prazer. A abordagem sexual contundente fez o sensível interagir numa dimensão profundamente humana e o grupo revelou ao público sua própria capacidade de “entender” o mundo que estamos vivendo.
As bandeiras de luta, o engajamento social e a subversão da sexualidade programada pelo sistema são panos de fundo para um trabalho que produziu eco entre os expectadores, foram cenas com ritmo, boa voz dos atores, direção segura e até performance dentro da cena, pois, uma intervenção muito bem arquitetada pelo grupo fez a platéia dançar no palco junto com outros grupos presentes no festival, realmente, uma das mais belas cenas já vistas na história do Fesq.
Concluo dizendo que o júri acertou em cheio ao premiar “Sobre Viventes”. Isto era esperado pela platéia. Um espetáculo que conseguiu bons resultados não só pelo impacto do ritmo e do contexto mas também pela profundidade com que calou no coração de cada expectador ali, presente, naquele momento.
A Companhia Quinta Marcha participou do 9º Festival de Esquetes de Cabo Frio, levando para casa os prêmios:
Melhor Cena Curta;
Melhor Direção e
Melhor Atriz.
Segue adiante a crítica feita pelo Dr. José Facury Heluy:
SOBRE-VIVENTE- Cia Quinta Marcha/ Belo Horizonte
Os autores, poetas “benditos” de toda uma geração dos anos oitenta, sempre oferecem materiais de extrema qualidade literária para concepções teatrais ou cinematográficas por conta delas sempre falarem para os jovens da classe média, que vive à margem das regras sociais e, por conta disso são exclusos. Dessa exclusão explodem em revoltas, onde o “escancaramento” para esse micro organismo dos seus redutos passa a ser a referencia. A montagem emoldura esse universo com tudo o que teve direito para nos fazer participe desse reduto. Não há nenhum momento da sua elaboração que não nos encontremos, no âmbito da comédia para nos despojarmos das nossas convicções e preconceitos até sentirmos as dores das exclusões implícitas. Comedia à flor da pele e drama nas vísceras psicológicas dos traumas decorrentes pela falta, exponencialmente trágica de perspectivas. Perfeito!
A Companhia Quinta Marcha participará neste final de semana do Festival de Esquetes de Cabo Frio com a cena Sobre-Viventes. A Apresentação será no dia 25/08.